Archive for março 2012

Nota de repúdio à violência e à celebração do Golpe de 1964

O Cordão da Mentira vem por meio desta repudiar o evento de celebração do golpe militar de 1964, realizado no Círculo Militar do RJ, e a ação violenta da Polícia Militar do RJ contra os manifestantes no dia 29/3/12. O Cordão classifica tais acontecimentos como, no mínimo, lamentáveis.

O Cordão da Mentira, assim como os manifestantes de diversas correntes políticas no RJ, denuncia algo grave: “A ditadura não acabou!”, 48 anos após o golpe, ainda sofremos com as heranças jurídicas, sociais e culturais deixadas por esse período. Herança esta que perpetua o terrorismo de Estado e que pode ser sintetizada pela palavra violência. A dita não foi branda e persiste apoiada não somente em setores militares, mas também em setores empresariais, midiáticos, dentre outros da sociedade civil, que juntos cometeram atrocidades em todo o país. Torturaram, mataram e reprimiram a população brasileira como um todo. Suas vítimas não foram só aquelas que contestavam a ordem, mas qualquer pessoa que não se alinhasse aos interesses espúrios da ditadura civil-militar.

Ao contrário dos outros países latino-americanos, no Brasil não houve justiça de transição. Os responsáveis por crimes como tortura e desaparecimento de corpos, de lesa humanidade, não foram julgados. O Estado brasileiro não investigou os crimes cometidos durante a ditadura, mesmo tendo sido internacionalmente condenado pela OEA por esse motivo. Isso demonstra que os interesses que levaram os militares ao poder continuam fortes e operantes no cenário político. Não satisfeitos, os militares ainda resolveram satirizar a sociedade brasileira em mais uma confraternização de celebração. Perguntamos a eles, o que devemos celebrar?

Após 25 anos do fim da ditadura, o que nos resta? Calar-nos frente às comemorações e aos elogios feitos à ditadura militar pelos oficiais? Devemos conviver diariamente com o discurso apaziguador feito pela grande mídia? Temos de sentir vergonha das lágrimas que derramamos pelos queridos e queridas no passado e no presente? Resta-nos a solidão por acreditarmos em uma sociedade democrática?

Para nós, restou a resignação ou a bala. Nas manifestações, balas de borracha e armas de choque. Nas periferias, balas com pólvora e chumbo.

A ditadura não acabou! Não ficaremos calados! Se a farsa continua, continuaremos a exigir o direito à justiça e à verdade.

Cordão da Mentira

 

Participe do Cordão da Mentira

O desfile do Cordão da Mentira acontecerá neste domingo, 1º de abril, dia da mentira e do Golpe Militar de 1964. A concentração será às 11h30, na frente do Cemitério da Consolação.

Mais informações:

Cordão da mentira

https://cordaodamentira.milharal.org
http://twitter.com/cordaodamentira
http://www.facebook.com/cordaodamentira

Vídeo da agressão no Youtube:

Mais depoimentos:

[Brasil de Fato] Apoio à liberdade de manifestação e repúdio às retaliações

 

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Sarau para Luis Gama: porque a ‘Abolição’ também foi uma Mentira!

Foliões e foliãs, o desfile do cordão está chegando! Este domingo (1º de Abril) sairemos pelas ruas do centro de São Paulo com a pergunta que não queremos e não devemos deixar calar “Quando vai acabar a Ditadura Civil-Militar?”.

Para abrir o Cordão, durante o aquecimento de seus tambores, nada melhor do que esquentar compartilhando poesias e letras fortes que tematizem as devidas pontes históricas entre a opressão do Estado no passado e no presente. Foi pensando nessas estreitas ligações que decidimos relembrar e homenagear, na abertura do Cordão da Mentira em frente ao Cemitério da Consolação, um dos lutadores mais ilustres que ali se encontra enterrado: o abolicionista Luís Gama, filho da guerreira malê Luíza Mahín. O mote deste nosso aquecimento poético: “Um Sarau para Luis Gama: porque a ‘Abolição’ também foi uma Mentira!”.

Neste Sarau lembraremos que Luís Gama foi um dos principais lutadores pela Abolição, efetiva e definitiva, do regime escravocrata no país ao longo da segunda metade do século XIX .Sua liderança abolicionista criou, em torno de si, o movimento abolicionista paulista. Gama foi o responsável pela libertação de mais de mil cativos – um feito notável – considerando-se que agia como “rábula” (advogado auto-didata) por dentro da própria lei escravista. A sua morte em 1882, vítima de diabetes, comoveu a cidade de São Paulo, e o féretro foi o mais concorrido até então na cidade. Foi sepultado no dia 25 de agosto no Cemitério da Consolação. A cada momento alguém subia numa tribuna improvisada, promovendo um discurso emocionado. Uma espécie de Sarau Abolicionista pioneiro no tempo.

Lembramos, por fim, que durante este sarau especial estarão conosco também pra receber as devidas homenagens a Dona Gisélia e Seu Zecléto, pais do jovem Henrique assassinado no último dia 18 de Março por policiais, no extremo sul de SP. Lembraremos ainda dos 7 anos da Chacina da Baixada Fluminense, completados agora dia 30 de Março. E mandaremos toda nossa energia de luta e solidariedade ao ato que estará ocorrendo no mesmo momento no Embu das Artes, em repúdio ao recente espancamento de jovem negro, e contra a violência racista que insiste em continuar se repetindo.

SALVE LUIS GAMA! POR QUE A A “ABOLIÇÃO” TAMBÉM FOI UM MENTIRA DAS ELITES BRASILEIRAS!

Sarau para Luis Gama: porque a‘Abolição’ também foi uma Mentira
Quando: a partir das 11h30
Local: em frente ao Cemitéri da Consolação

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Confiram a programação deste domingo

11h30 : “Sarau Luis Gama”
13h00 : Abertura do Cordão
13h30 : Saída do Cordão
15h00 : Parada no Largo da Sta. Cecília
15h30 : Saída do Cordão
17h00 : Chegada no DOPS

TRAJETO

A concentração acontecerá às 11h30, em frente ao cemitério da Consolação.

Em seguida, o cordão passará pela rua Maria Antônia, onde estudantes da Universidade Mackenzie, dentre eles integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), entraram em confronto com alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Um estudante secundarista morreu.

Dali, os foliões-manifestantes seguem para a sede da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o exército para se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”.

Depois de passar pelo Elevado Costa e Silva — que leva o nome do presidente em cujo governo foi editado o AI-5, o mais duro dos Atos Institucionais da ditadura — o bloco seguirá pela alameda Barão de Limeira, onde está a sede do jornal Folha de S.Paulo. Segundo Beatriz Kushnir, doutora em história social pela Unicamp, a Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de “maior tiragem” do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de “tiras”, agentes da repressão.

A ação da polícia na Cracolândia, símbolo da continuidade das políticas repressivas no período pós-ditadura, bem como o Projeto Nova Luz, realizado pela Prefeitura de São Paulo, serão alvos dos protestos durante a passagem do cordão pela rua Helvétia.

Finalmente, será na antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), na rua General Osório, que o Cordão da Mentira dispersará.

R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia
Av. Higienópolis – sede da TFP
R. Martim Francisco
R. Jaguaribe
R. Fortunato
R. Frederico Abranches
Parada no Largo da Santa Cecília
R. Ana Cintra – Elevado Presidente Costa e Silva
R. Barão de Campinas
Al. Glete
Al. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo
R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz
R. Mauá
Dispersão: R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do Dops

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Pinóquio versão Latuff

O Latuff voltou ao Brasil, se prontificou a somar e já somou com essa charge para o Cordão!

Cuidado, nunca se sabe quando o rifle do Pinóquio está apontado para você!

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3º e último ensaio do Cordão

Dia 31 de Março, às 15h30, no Bar do Raí
R. General Jardim x R. Dr. Vila Nova

 

Lembrando que as músicas estão disponíveis aqui.
Todxs decorando as letras para fazer bonito na rua!!
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De que lado está você?

De que lado?, eu quero ver!
Meu Bloco vai cobrar
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Estandarte do Cordão da Mentira

Arte de Rafael Terpins

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Músicas do Cordão disponíveis para download.

As músicas estão disponíveis em

soundcloud.com/cordaodamentira

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Confiram o trajeto do Cordão!

 

link pro mapa: http://g.co/maps/gg54p

Concentração: Cemitério da Consolação
Descemos R. Consolação
R. Maria Antonia
Av. Higienópolis
R. Martim Francisco
R. Jaguaribe
R. Fortunato
R. Frederico Abranches
Parada no Largo da Santa Cecília
R. Ana Cintra
R. Barão de Campinas
Al. Glete
Al. Barão de Limeira
Av. Duque de Caxias
R. Mauá
Dispersão: R. Mauá com a R. General Osório

Lembrando que teremos intervenções de grupos de teatro durante o percurso.

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“Cordão da Mentira desfila pelas ruas de São Paulo” | Brasil de Fato

http://brasildefato.com.br/node/9160

Destaque esquerda | Cultura

Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas, Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira

26/03/2012

Da redação

Será realizado neste domingo (1º), em São Paulo, o desfile do Cordão da Mentira. Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas de diversos grupos e escolas da capital paulista, o Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira.

O desfile ocorrerá no Dia da Mentira e do Golpe Militar de 1964. A concentração será às 11h30, na frente do Cemitério da Consolação.

Leia, a seguir, o manifesto das entidades que compõem o Cordão da Mentira:

MANIFESTO

“Quando vai acabar a ditadura civil-militar?”

Dizem que quando uma mentira é repetida exaustivamente, ela se torna verdade. Dizem também, que é como farsa que o presente repete o passado. Por isso, vamos “celebrar” a farsa, a mentira e sua repetição exaustiva.

No dia da mentira de 1964, ocorreu o golpe que instituiu a ditadura civil-militar. Dizem que ela acabou. Porém, a maior ilusão da história brasileira repete-se. A ditadura civil-militar se fortalece no golpe de Primeiro de abril 1964 e, até hoje, ninguém sabe quando vai acabar! Nós vamos celebrar.

No dia primeiro de abril, abram alas para o Cordão da Mentira!

Quando admitimos que os crimes do passado permaneçam impunes, abrimos precedentes para que eles sejam repetidos no presente. Com a roupagem indefectível da democracia, da constituição, do direito à livre manifestação, o Estado continua executando os seus inimigos e calando de uma forma ou de outra aqueles que pensam e atuam em favor da tolerância, em favor da utilização dos espaços públicos de maneira respeitosa e saudável. Em nome da manutenção da produção e do consumo ostensivo vivemos o estado de exceção como regra e o direito conquistado de ir às urnas acaba apenas legitimando o que é uma verdadeira licença para calar, reprimir, matar.

Afinal:

Quando vai acabar o massacre de pobres nas periferias?

Quando os corpos do passado serão encontrados e dignamente reconhecidos em suas lutas?

Quando as armas dos militares deixarão de ser o signo do extermínio?

Até quando o dinheiro de poucos financiará o silêncio de muitos?

Até quando ouviremos o ronco dos Caveirões, Fumanchús e das Kombis genocidas?

Lembremos Pinheirinho, Eldorado do Carajás, Araguaia e as Ligas Camponesas! Casos que podem ser vistos como exemplos históricos do nosso tempo para a compreensão do processo pelo qual o Estado colocou a especulação imobiliária, a propriedade privada e a lucratividade acima da vida. Nada pode ser mais valorizado do que a vida. Somente um Estado calcado em mentiras pode favorecer essa inversão de valores.

Lembremos Mariguela, Pato N´Água, Herzog e os 492 executados em São Paulo em Maio de 2006! Personlidades anônimas ou conhecidas exterminadas pelas práticas autoritárias que resolvem suas contradições à bala.

Hoje, uma simples Comissão da Verdade – que apenas pretende investigar a história – levanta os fantasmas do passado, ocultos nas sombras da Lei de Anistia. Façamos então um Cordão da Mentira! Celebremos com a força dos batuques a farsa que une presente, passado e futuro.

Vivamos nossa balela! Enquanto isso, ditadores são julgados e condenados por seus crimes em terras argentinas, chilenas e uruguaias. Falemos outra língua: a gramática do engodo com o sotaque do esquecimento. Entremos na contramão da história!

Risquemos da memória que alguém pagou pra ver até o bico espumar no choque agudo das genitálias! Exaltemos os gozos pervertidos de empresas e seus braços armados, irmãos de sangue do torturado. Lembremos as mãos limpas que aplaudem as sessões de sofrimento. Pois o que vale é a fábula da tradição, assassina de famílias, com a maior propriedade!

Povoemos os porões do imaginário, com tudo aquilo que a ditadura encarcerou na sua cultura! Levemos pra lá o samba dos cordões, as imagens censuradas, as bocas amordaçadas. Fantasiemos as ruas com seus símbolos de opressão! Enganemos a todos com as farsas de nossa história!

Neste Primeiro de Abril, façamos a Mentira responder: Quando vai acabar a ditadura civil-militar?

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Grupos que apoiam o Cordão:

– Bloco Carnavalesco João Capota Na Alves
– Buraco d’Oráculo
– Cia. Estável de Teatro
– Coletivo Dolores Boca Aberta
– Coletivo Merlino
– Coletivo Os Aparecidos Políticos
– Coletivo Político Quem
– Coletivo Zagaia
– Comboio
– Comitê Paulista de Verdade Memória e Justiça
– Engenho Teatral
– Estudo de Cena
– Grupo Folias
– Grupo Tortura Nunca Mais/SP
– Kiwi Companhia de Teatro
– Luta Popular
– Mães de Maio
– Ocupa Sampa
– Projeto Nosso Samba de Osasco
– Rua do Samba Paulista
– Samba Autêntico
– Sarau do Binho
– Sarau da Vila Fundão
– Tanq_ ROSA Choq_
– Tribunal Popular

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2º Ensaio do Cordão da Mentira

Lembrando que amanhã (24) ocorrerá o 2º ensaio do Cordão, às 15h, no Bar do Raí (esquina da R. Gen. Jardim com R. Dr. Vila Nova – Vila Buarque)

Confiram as músicas que foram apresentadas no último ensaio. Amanhã conheceremos mais algumas.

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